Privacidade
Uma app de tarefas sem conta, é possível?
Uma lista de tarefas diz muito sobre nós: as tuas consultas médicas, as tuas finanças, o que andas a adiar. A questão de onde ela vive não é inocente.
Uma lista de tarefas parece inofensiva. Olha para a tua: provavelmente há uma consulta médica, o nome de um advogado ou de um terapeuta, uma questão de dinheiro, uma coisa que andas a adiar há seis meses e de que não falaste a ninguém. É um documento íntimo.
Porque quase todas pedem uma conta
Três razões, muito diferentes. A primeira é legítima: sincronizar entre o telemóvel, o computador e o tablet exige um servidor, logo uma identidade. A segunda é comercial: uma subscrição precisa de saber quem paga. A terceira é mais discutível: uma conta permite medir, segmentar, por vezes revender.
O problema é que não se conseguem distinguir as três de fora. Uma app pode pedir uma conta pela melhor das razões e mudar de política dois anos depois, após uma aquisição.
O que muda uma app local
Uma app sem conta e sem servidor não pode perder os teus dados numa fuga de informação, porque não os tem. Não pode mudar de ideias sobre o que faz com eles. Não pode fechar e levar a tua lista. E não pede «consentimento» a dezenas de parceiros, porque não há nenhum.
Também é mais rápida, já agora: nada depende da rede, tudo é imediato, e a app funciona no comboio debaixo de um túnel.
O que se perde, com honestidade
A sincronização automática entre aparelhos. É a verdadeira renúncia, e não se deve disfarçar: se queres a tua lista no iPhone e no Mac, atualizada em tempo real, é preciso um servidor.
A cópia de segurança automática também. Uma app local pode exportar um ficheiro — e cabe a ti fazê-lo, de vez em quando, e guardá-lo nalgum lado. Como uma fotografia dos teus documentos de identidade: ninguém o faz espontaneamente, e todos deviam.
As perguntas a fazer a qualquer app
Dá para usar sem conta? Onde vivem os dados — no aparelho, num servidor, com quem, em que país? Há rastreadores (a ficha da App Store diz isso, em «Dados recolhidos»)? O que acontece se a empresa fechar: consegues exportar?
E uma pergunta de bom senso, que vale para tudo o resto: se é grátis e não há subscrição nem publicidade, de onde vem o dinheiro? Uma app pode muito bem ser gratuita porque é pequena e o seu autor vive de outra coisa. Mas a pergunta merece ser feita.
Perguntas frequentes
Sem conta, o que acontece se eu mudar de telemóvel?
Exportas um ficheiro de cópia de segurança e importa-lo no novo. É um gesto manual, é o preço a pagar — e é também a garantia de que nada circula sem ti.
E se eu perder o telemóvel?
Sem cópia de segurança, os dados perdem-se com o aparelho. É a contrapartida honesta do modelo local: exporta de vez em quando, como se fosse uma fotografia dos teus documentos.
Porque é que a maioria das apps pede uma conta?
Para a sincronização entre aparelhos, para a subscrição, e por vezes porque o modelo de negócio assenta nos dados. As três razões não valem o mesmo.
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